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quinta-feira, 11 de maio de 2023

Mãe e filhos

 




MÃE…
São três letras apenas,
As desse nome bendito:
Três letrinhas, nada mais…
E nelas cabe o infinito
E palavra tão pequena
Confessam mesmo os ateus
És do tamanho do céu
E apenas menor do que Deus!


Para louvar a nossa mãe,
Todo bem que se disser
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer.

Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do CÉU
E apenas menor que Deus!

Mário Quintana
Visto em: https://leiturinha.com.br/blog/poemas-sobre-mae/

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Obra: Mãe e Filhos (em inglês Mother with Children), de Gustav Klimt, 1909.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

O Beijo - The Kiss - Le Baiser

*

Se tens de amar-me de algum modo, 
Ama o amor, não mais, a meu respeito. 
Não diga amar-me o olhar, o riso, o jeito 
Suave de falar, ou o já pensado 
Tal como eu penso e trouxe a certo dia 
Um sentido de paz apetecido. 
Porque em si estas coisas, meu querido, 
Por elas ou por ti se mudariam.  
Também não me ame se por compaixão 
Ao secar minhas lágrimas. Quem tanto 
Se apoia em ti talvez perca a ilusão 
De amada ser, interrompendo o pranto. 
Ama-me pelo amor tão só que, então, 
Hás de amar-me no eterno deste enquanto.

Elizabeth Barrett Browning em Sonetos da Portuguesa (edição digital)
Tradução de Leonardo Fróes
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Obra: O Beijo (ou The Kiss, ou, em original, Le Baiser), de Auguste Toulmouche

sábado, 12 de setembro de 2020

Soneto 6


Foge de mim que sinto que estarei Para sempre à tua sombra. Nunca mais Sozinha na soleira dos portais Da vida individual comandarei Minha alma ou erguerei serenamente A mão no sol, como fazia antes, Sem a impressão de ausente ter no instante Teu toque na palma. Quer sina tente Nos separar, teu coração colou No meu, que bate em dobro. Se algo faço Ou sonho, isso te inclui, como sobrou Uva no vinho por sabor. Se peço A Deus por mim, teu nome ele escutou, Vendo o pranto de dois neste olhar baço.

Elizabeth Barrett Browning 

Pintura de Auguste Toulmouche 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Evening by the Lake - Noite no Lago


Contrassenso

Oh! meu amor, escuta, estou aqui,
pois o teu coração bem me conhece,
eu sou aquela voz que, em tanta prece
endoideceu, chorou, gemeu por ti!

Sou eu, sou eu que ainda não morri.
Nem a morte me quer, ao que parece,
e vinha renovar se ainda pudesse
as horas dolorosas que vivi.

Oh! que insensato e louco é quem se ilude!
Quis fugir, esquecer-te, mas não pude...
Vê lá do que teus olhos são capazes!

Deitando a vista pelo mundo além
desisto de encontrar na vida um bem
que valha o mal que tu me fazes!

Marta de Mesquita da Câmara

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Pintura de Max Nonnenbruch (1857-1922).

quinta-feira, 27 de junho de 2019

The Beautiful Lady Without Pity - Bela dama sem piedade


Socorrei-me, Senhor! Quebrai piedoso
minhas algemas, cheias de dureza!
Se meu crime provém da natureza,
quem de ser deixará réu, criminoso?

Davi, que foi tão rico e venturoso,
por Betsabé caiu na vil fraqueza;
Sansão, perdendo o brio e a fortaleza,
ao orbe deu exemplo lastimoso.

Vede Jacó, retido em cativeiro
pela gentil Raquel; vede Susana;
Vede afinal, Senhor, o mundo inteiro!

Desculpa tenho na paixão insana:
que ou mandasse-me o céu o ser primeiro,
ou fizesse de ferro a carne humana.

Frei Francisco Xavier de Santa Rita Bastos Baraúna (1785-1846), em Sonetos de amor e desamor.

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Obra: The Beautiful Lady without Pity, de John William Waterhouse (1893).


sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

The Letter - A Carta


Honesta e meiga é a minha amada, quando
num gesto cumprimenta os circunstantes,
os boquiabertos ficam hesitantes
e os tímidos com rostos abaixando.

Ao sentir-se louvada, segue avante
com seu vestido humilde, belo e brando,
como divina dádiva chegando
ao mundo em sua graça edificante.

Sendo afetuosa, qual jamais se vira,
do rosto ao coração emana calma,
o que só compreende quem provar...

E seus lábios parecem inspirar
um terno alento de amorosa alma
que está dizendo ao coração: – Suspira!

Dante Alighieri. Vida Nova – XXVI. Tradução de Wagner Schadeck.

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Obra: The Letter, de William Maw Eagley (1863).

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Enid and Geraint



...ainda que no mundo haja tanta tristeza, ele sempre ainda pode ser salvo por alguém com um pouco de alegria. 

Mercè Rodoreda no Posfácio do seu romance A Praça do Diamanete, em 1982.

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Obra: Enid and Geraint, de Arthur Hughes (1832-1915).