Se tens de amar-me de algum modo,
Ama o amor, não mais, a meu respeito.
Não diga amar-me o olhar, o riso, o jeito
Suave de falar, ou o já pensado
Tal como eu penso e trouxe a certo dia
Um sentido de paz apetecido.
Porque em si estas coisas, meu querido,
Por elas ou por ti se mudariam.
Também não me ame se por compaixão
Ao secar minhas lágrimas. Quem tanto
Se apoia em ti talvez perca a ilusão
De amada ser, interrompendo o pranto.
Ama-me pelo amor tão só que, então,
Hás de amar-me no eterno deste enquanto.
Elizabeth Barrett Browning em Sonetos da Portuguesa (edição digital)
Tradução de Leonardo Fróes
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Obra: O Beijo (ou The Kiss, ou, em original, Le Baiser), de Auguste Toulmouche
